Minhas esculturas são a materialização de uma série de impulsos e sensações.
Nesta etapa do meu trabalho de criação, o impulso está dado pela necessidade de traduzir a sensação de leveza e ascensão da matéria que insiste em respeitar a lei de gravidade. Isto me leva a desenhar muito, pois procuro definir primeiro no papel aquele movimento e composição que, posteriormente, me permitirão levar ao bloco essa idéia com maior segurança.

Outro impulso me chama a transferir energia de meu corpo e mente ao bloco através do entalhe. Neste processo, percebo que há vários níveis de sensações. A mais imediata, e contraditória, é frente ao bloco intacto. Sinto temor a não conseguir que ele obedeça ao meu projeto, ao mesmo tempo que cresce o desafio da tarefa de fazer surgir a forma.

Quando começo a avançar no trabalho, percebo que, sistematicamente, não penso na força que vou dar ao braço que empunha o martelo, quando este bate na ferramenta de corte. E nunca acabo de me admirar que essa foi a força exata que precisava para esse corte.

Alem do físico, no momento em que estou entalhando, sinto que estar modelando ou retirando matéria, obtendo a concavidade ou convexidade que desejo, ou conseguindo uma curva perfeita, me produz um prazer sensual. Ao mesmo tempo, há momentos em que me desligo e, quando retorno ao contato com o ato, é como uma meditação, em que a mente e o espírito vagam soltos.

Outra sensação importante é saber que essa forma que está se concretizando é única e duradoura. Daí que meus materiais preferidos sejam a pedra e, agora, a madeira, sendo que esta vem acrescida do "calor" que transmite.